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Médicos suspeitam que água do Rio Doce pode causar câncer

16/12/2015

A Federação Nacional dos Médicos (FENAM) suspeita que o contato com a água do Rio Doce pode provocar, em longo prazo, o aparecimento de doenças como câncer e malformação fetal. De acordo com o presidente da Fenam, Otto Baptista, um grupo de pessoas que tem contato com a água - mesmo tratada - será monitorada para que médicos avaliem possíveis efeitos no corpo humano.
 
Desde que a onda de rejeitos proveniente do rompimento da barragem  da Samarco, cujos donos são a Vale a BHP, atingiu o Rio Doce, diversas análises são feitas  em pontos do rio para atestar a potabilidade da água.
Tratamento de água em Colatina (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)
Tratamento de água em Colatina
 
No Espírito Santo, três municípios são cortados pelo rio, mas apenas Colatina segue sendo abastecida com a água do Doce. De acordo com a prefeitura, as análises mais recentes mostram que a água que chega às residências está dentro dos padrões de potabilidade.
Entretanto, a possível presença de metais pesados na água - mesmo que em menor quantidade - preocupa os médicos, já que algumas substâncias têm efeito cumulativo.
“Muitas vezes você está recebendo uma água considerada potável, mas que pode ter metais pesados. E o uso contínuo, nos alimentos, na cozinha em geral, pode ter  a longo prazo um depósito desses metais no organismo. Isso vai causar lesões de pele. Quem bebe essa água, a longo prazo, vai apresentar problemas nos órgãos, como aparelho digestivo, urinário e neurológico”, explicou.
Presença de metais pesados
De acordo com o professor de engenharia ambiental da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Sérvio Túlio Cassini, que é PHD em microbiologia ambiental, análises preliminares feitas com amostras coletadas em Baixo Guandu, por um laboratório particular e sob supervisão da Ufes, apontaram teor acima do normal de arsênio, chumbo, zinco, cromo e manganês.
 
Segundo ele, o tratamento de água feito nas estações não é capaz de eliminar por completo algumas substâncias, como o arsênio, por exemplo.
“O que nos preocupa são os níveis elevados de arsênio, porque ele é muito tóxico e não é removido no tratamento convencional de água. Então mesmo que você limpe a água, ele continua lá. Quando a pessoa bebe essa água, pode não sentir o efeito na hora, mas a substância vai acumulando e chega a um nível que gera um efeito tóxico no corpo”, disse.
 
Diante da suspeita, a Fenam planeja fazer a própria análise. Nesta quarta-feira (16), uma comitiva de médicos vai a Governador Valadares (MG) para coletar de amostras no Rio Doce.
As análises físico-químicas e microbiológicas em água e em solo serão feitas pelo laboratório independente Água Terra. No total, serão recolhidas 10 amostras em uma extensão de 1.424 quilômetros. O relatório final será divulgado em 90 dias.
 
Grupo de estudo
Para avaliar os possíveis efeitos da água contaminada no corpo humano, a Fenam planeja selecionar um grupo de pessoas que têm contato com a água para que elas sejam monitoradas e avaliadas periodicamente.
 
“A ideia é selecionar 100 pessoas, principalmente da população de Mariana e Governador Valadares, em Minas Gerais. Não é necessário fazer essas avaliações ao longo de todo o rio, porque o resultado que der em uma ponta, é o mesmo que vai dar no final”, explicou.
Em nota, a Samarco disse que, "proveniente do processo de beneficiamento do minério de ferro, o rejeito é composto basicamente de água, partículas de óxidos de ferro e sílica (ou quartzo). É classificado como material inerte e não perigoso, conforme norma brasileira de código NBR 10004-04, o que significa que não apresenta riscos à saúde pública e ao meio ambiente.”

Fonte: G1 - Naiara Arpini

 

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