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DF: médico desabafa nas Redes Sociais sobre o desabastecimento na rede pública

04/01/2016

Este é um trecho do desabafo de um médico sobre o desabastecimento de medicamentos na rede pública de saúde de Brasília, que vazou de um grupo no Whatsapp neste fim de semana e reverberou na imprensa nacional. A referência, nesse caso, era à cardiologia do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), mas ecoa em todos os hospitais públicos da cidade.

No Hospital Regional de Sobradinho, a pediatria chegou a contar com um único pediatra de plantão. Na véspera, esse profissional foi avisado que que não haveria chefia de equipe e que não havia sequer reagentes para fazer um hemograma. “Trabalhamos com dificuldades todo dia e já enfrentei tempos difíceis, mas nunca tão sem recursos quanto agora”, afirmou esse pediatra à assessoria de imprensa do SindMédico-DF.

A resposta, por nota, da Secretaria de Estado de Saúde (SES/DF) à situação no HBDF foi evasiva, confirmou a falta de 60 medicamentos nos estoques, mas não apontou solução para os pacientes que correm risco de morte iminente.

“Não podemos conceber continuar trabalhando nessas circunstâncias”, afirma o presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF), Gutemberg Fialho. “Nossa profissão é salvar vidas e não podemos aceitar que o governo assuma uma postura distante e fria de tratar nossos pacientes como componentes de um planilha de custos. Não podem simplesmente deixar as pessoas morrerem em nossos braços. O governo e a gestão da Saúde têm que ser responsabilizados por essas mortes”, reclama ele, que enfatizou à imprensa a gravidade da situação causada pela falta de medicamentos.

Neste período do ano é comum a imprensa focalizar a área da saúde no noticiário diário, uma vez que a cobertura política fica esvaziada. “Infelizmente, é comum que, para fugir dos holofotes, os governos tentem transferir para os médicos a responsabilidade do caos”, aponta Gutemberg.

Por isso, o sindicato recomenda cuidado redobrado aos médicos nos plantões desse período. “Todos os fatos que fogem à normalidade devem ser registrados por escrito”, destaca Gutemberg, que também orienta os plantonistas a informar ao sindicato se tiverem conhecimento prévio de problemas nas escalas de plantão, falta de medicamentos ou de exames. Essas informações devem ser enviadas para o e-mail Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo. .

Clique aqui e assista a reportagem do Bom Dia Brasil, da Rede Globo, exibida na manhã desta segunda-feira.


Fonte: SindMédico/DF