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Compromisso sindical é também compromisso moral

 

Quando me atento a notícias que envolvem nossa profissão, cada vez mais tenho a certeza de que a participação do Sindmed do Grande ABC em nossa sociedade é de considerável importância.
 
Não somos perfeitos, mas agimos corretamente, tentamos assegurar e resgatar os direitos dos médicos, entretanto, para isso, é nossa obrigação cumprir com o dever e a ética que a profissão exige.
 
O recente, e triste caso que lemos nos jornais ou assistimos através dos telejornais sobre a morte de Joanna Marcenal Marins, de apenas 5 anos de vida, traz para toda a nação a terrível sensação de inércia e impotência. Assistir aos vídeos que mostram um passado recente, onde Joanna brincava no parque e, em seguida conhecer alguns dos detalhes de sua morte incomoda. Incomoda a mim como médico, pai, pessoa e como sindicalista.
 
Não nos cabe julgar o ocorrido, se houve erro da justiça em afastar provisoriamente a criança da mãe por entender que ela sofria de síndrome de alienação parental em grau severo, ou ainda, se houve erro no atendimento médico. Porém, cabe a nós médicos, o dever de exercer a profissão de forma ética e respeitando a moral. 
 
O fato de o caso envolver uma médica e um ex-aluno de medicina nos impulsiona à questão do por que isso aconteceu. Os sindicatos, dentro do possível, cumprem seu papel, mas precisamos do apoio de vocês doutores. Apoio este que envolve até mesmo denúncias de pessoas contratadas e que não estejam aptas a exercerem a profissão de médico. 
 
Doutores,  existimos para garantir o seu direito!
 
 
Resumo do caso:
 
O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou a médica Sarita Fernandes Pereira por homicídio doloso por omissão. Ela é apontada como a pessoa que contratou o estudante de medicina Alex Sandro da Cunha Souza, que atendeu e liberou a menina Joanna Cardoso Marcenal Marins de 5 anos.
 
De acordo com a investigação, Sarita era médica plantonista e responsável pelo atendimento de emergência pediátrica. A denúncia aponta que a conduta médica adotada provocou a morte da criança. O parecer do médico legista do Grupo de Apoio Tático Especializado (Gate) do MP destaca que “a falta de uma investigação clínica adequada nesses atendimentos não permitiu que fosse feito o diagnóstico etiológico das crises convulsivas, deixando o quadro evoluir até se tornar irreversível.”.
 
A denúncia também aponta a participação de forma fraudulenta do estudante, que fez o atendimento da menina sem acompanhamento profissional, tendo sido orientado em contato telefônico por Sarita, passando-se pelo médico André Lins de Almeida, que sequer trabalhava no RioMar. Os acusados, conforme o MP, ainda falsificaram uma carteira e carimbo utilizando os dados do médico e apresentaram um suposto currículo, contendo dados falsos.
 
De acordo com a denúncia, Sarita obteve vantagem ilícita ao receber valores do RioMar para contratar médicos para o plantão. A médica colocou um acadêmico em exercício ilegal da Medicina, pagando, por isso, um valor inferior ao que seria dado a um profissional legalmente habilitado.
 
Os acusados são denunciados por tráfico de entorpecentes por terem prescrito e ministrado os medicamentos fenobarbital e fenitoina sem autorização e em desacordo com determinação legal e regulamentar.
 
Sobre o ex-aluno de medicina Alex Sandro da Cunha Souza:
 
Alex Sandro foi considerado pela coordenação do curso de Medicina da Unigranrio, em Duque de Caxias, RJ, o aluno com um dos mais baixos coeficientes de rendimento. Segundo o coordenador-adjunto do curso de Medicina e da Escola de Ciências de Saúde, Marcos Vianna, o aluno cursava o 4º período, estava dependente em várias matérias e sua matrícula estava trancada desde o início do ano. 
 
Alex Sandro, o falso médico
Alex Sandro da Cunha Souza, o falso médico
 
 
Alex, de acordo com a faculdade, era totalmente desqualificado para atuar como residente.
 
A Unigranrio decidiu pela expulsão do aluno após criar uma comissão de inquérito para apurar o caso e o comportamento do aluno, que infringiu o Código de Ética e Disciplina e o regimento geral da universidade.
 
O Ministério Público solicitou à Justiça que fosse decretada a prisão preventiva para os dois denunciados. A pena de Sarita Fernandes Pereira pode chegar a 20 anos de prisão e a de Alex Sandro da Cunha Souza, 10 anos, se forem condenados.
 
 
E é ao examinar mais este caso que eu, e toda a diretoria do Sindmed do Grande ABC, nos preocupamos em garantir o respeito e a confiança que a categoria merece. É para isso que mantemos um sindicato com profissionais responsáveis e aptos a prestarem esclarecimentos sobre contratos de trabalho, questões salariais, assessoria jurídica, homologações e, principalmente, estamos aptos a ouvir vocês: doutores.
 
Nossa tarefa é árdua, mas queremos lutar e vencer questões como a apresentada acima, onde pessoas não qualificadas são contratadas para exercerem a nobre profissão da medicina, colocando em risco a saúde da população e o crédito de todos nós. É extremamente necessária a participação de todos. 
 
Queremos salários dignos e vagas preenchidas por profissionais qualificados, isso garante a integridade do médico e a saúde da população. Pense nisso, participe mais do sindicato, contribua com ideias, críticas e, se necessário for, com denúncias.
 
Um abraço e até breve,
 
Ari Wajsfeld
 
 
 
 

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